sábado, janeiro 07, 2006

Em obscenidade satírica,
crivado de necessidade
pelo olhar perfeito
de uma lâmpada pouco forte,
artefacto suave
da iluminação obesa,
martirizo-me em vigilâncias
de olhares imperfeitos
numa mente-viela escurecida,
em desígnio ilustrativo.
Sou-me, imagem, na acepção
do que me seria, imagem,
e danço em papel virtual,
solene, à escuta
de passos abafados,
tímido de concretas sonoridades
durante as variações do monótono.
Pinto-me manchas coloridas
e sardentas, personificadas
no papel impessoal
da noite serena,
de uma obscenidade amena,
como quem viola tântrico
as roupas desbotadas de pudor
na sexualidade da obra,
mescla orgíaca e mestiça
de olhares rompantes e belos.
Visões do mérito na hora
dão forma etérea ao etéreo
interior da hora interna
ao relógio que pulsa sangue
e esboça visivelmente individual
a dissolução do palpitar
na irrigação invisível.
Brindo-me em sonho passante
sem treva, e esclareço
os sentidos sob débil iluminação.
Leio-me a outra face da moeda
inconstante e sorrio no seu reflexo
enquanto não cai, ressacada.
Suspiro as redondezas
em tom de liberdade
e destruo citadinas fortalezas
sem ser preciso fazer nada.
Obedeço-me sem ordem
num papel em flor
em campos perfumados de mim.
Estóicas conquistas da paz.
Penduro-me aqui.
Perduro-me.